DEPOIS DA DERROCADAPHILIP E. HIGH
Acho que de certa forma estreando no meio da ficção científica, não lembro de ter lido muita coisa neste tema, a não ser CONTATO do Carl Sagan, 1984 e Admirável Mundo Novo , mas aí acho que não era a típica ficção científica, que pra mim parece ser normalmente de cordel ( pulp fiction ? )
Paguei 2 ou 3 reais por este livro, comprei-o sem ter a minima noção do que se tratava, simplesmente vi o livrinho, pequeno, envelhecido, carcomido, num sebo de quinta categoria, daqueles que normalmente não tem nada que preste, aí li umas linhas da primeira página ..... o personagem olhando o mar a partir de uma falésia e achei que ali poderia dar caldo.
ACERTEI !
ficou guardado por meses, uma vez ensaiei a leitura, então percebi que era ficção científica, resolvi guarda-lo para uma temporada mais propícia.
Neste mês, nas atividades do hobby de wargames me vi a braços com um torneio de warhammer 40.000, um jogo de mesa com miniaturas ambientado no ano 40.000, e achei que a leitura deste livro daria uma inspiração legal pra vivenciar o torneio, e de fato, o livro caiu muito bem.
Eu não esperava nada desta obra, pensei que seria algo bem chulo , ou talvez eu tenha preconceito de que a maior parte das obras de FC em livros de bolso sejam assim.
O fato é que a obra me surpreendeu, é interessante e bem escrita.
Conta a história de Ventnor , um "homem de engenho" como foi classificado pelo "sistema" dominante e por isto mesmo condenado a morrer.
Mas ele consegue fugir para as regiões inóspitas onde vivem os 'selvagens' como são conhecidos todos os povos que ficaram a margem da civilização dominante que vive numa ilha de proporções continentais criada de forma artificial.
Nesta região hostil um tribo específica o compra de uma outra tribo de primitivos, o fato é que a tribo que o adquire é na verdade muito avançada, mas sobrevive graças ao ardil de se passar por uma tribo primitiva qualquer, eles sabem que Ventnor é um espécime com uma carga genética muito promissora e por isto vão a sua procura.
Com mensagens subliminares e futuristicos métodos de ensino colocam Ventnor ao par de tudo que aconteceu a humanidade para as coisas acabarem como estavam, e a partir daí o homem evolui a olhos vistos e começa a desenvolver 'engenhos' tanto no campo da engenharia como no da biologia e medicina.
Durante este tempo os homens da ilha descobrem uma civilização microscópica, isto mesmo, microscópica, ou talvez nanoscópica, que se desenvolveu em plena selva amazonica.
Que parece muito mais avançada que eles e qualquer outros humanos no planeta.
Finalmente o disfarce da tribo de Ventnor é descoberto, mas os homens da ilha pouco podem fazer contra eles, pois eles são uma pequena parte de toda uma gigantesca rede de homens sobreviventes dos tempos da grande crise que separou os homens da ilha do resto do mundo que submergiu nas trevas da ignorancia e da selvageria, mas alguns remanescentes homens de ciencia sobreviveram no lado caótico e formaram esta rede que agora vai restaurar a dignidade e avanço de toda a humanidade.
Pra finalizar, o fato é que os homens da ilha são vencidos, a rede continental de "homens de engenho" prevalece e com ela altos valores éticos e morais, a civilização microscópica é contatada e demonstra ser muitissimo avançada, e dada as suas dimensões infinitamente pequenas a comunicação que deixa é que nem esta mais presente no momento em que os humanos recebem sua resposta.
Bem, para concluir o que eu posso dizer é que a obra me pareceu muito boa, e hoje mesmo procurando ela na internet, vi que ela é parte de uma coleção publicada em Portugal, por uma editora chamada 'Livros do Brasil", e esta coleção se chama : COLECÇÃO ARGONAUTA
que publicava livros do genero ficção cientifica desde os anos 50.
Este era o volume 193 com copyright estrangeiro de 1967 e para a livros do brasil em 1973.
Para eu que estava envolvido com todo um mundo de fantasia ficcional científica do universo warhammer, onde no ano 40.000 o império do homem se estende por toda a galaxia, e possui um imperador que é cultuado como um deus, que ninguém sabe onde se encontra e se vive ou não, enquanto luta contra hordas de alienígenas de tipos diversos, como os terríveis tiranideos, seres muito semelhantes aos do filme Alien ( e concepção artistica original de GIGER ) até hordas de ORKS ( isto mesmo, uma variante dos ORCS no melhor estilo senhor dos anéis, afinal o warhammer 40.000 é um JOGO DE GUERRA , e cujas origens remontam ao warhammer FANTASY que é um jogo de guerra ambientado na FANTASIA MEDIEVAL, onde é classico e sabido que humanos , elfos, orcs e outros seres convivem e lutam e onde a magia domina ) , o livro da COLECÇÃO ARGONAUTA de número 193 caiu muito bem.
Ele demonstra um ambiente bem cataclismico, fala de alta tecnologia e futurismo convivendo com decadencia e primitivismo, alude a seres com poderes psionicos, criaturas fantásticas e terriveis, civilizações ultra avançadas, com um estilo meio retro mas muito bem casado.
No final das contas pesquisando hoje na internet , em busca da figura da capa, o que vi dizer sobre a COLEÇÃO ARGONAUTA é que ela foi uma coleção de muita qualidade, trazendo o que tinha de bom no meio literario de ficção cientifica, e que a ediouro e as outras editoras que traziam livros de bolso traziam só a rapa da rapa que foi o que restou FORA da coleção argonauta, e então tudo o que se teve publicado neste segmento fora da argonauta é realmente de livros RUINS.
E decerto é isto que me deixou com o preconceito de que literatura de FC em livros de bolso se trataria sempre de PORCARIAS.
Inclusive posso confirmar um pouco esta idéia pois comprei por 1 real um destes livrinhos de bolso de FC de uma coleção qqer algum segmento da PERRY RODHAN, e realmente a história é bem bem podrinha, e apesar de escrita muito depois deste que estamos comentando agora, o futurismo em naves espaciais é violentamente retro, pois com toda a tecnologia para singrar anos luz com rapidez o dispositivo de armazenamento de dados são ROLOS DE FITA , hehehe.....
Bem, mas DEPOIS DA DERROCADA , ou no titulo original em ingles : THESE SAVAGE FUTURIANS de PHILIP E. HIGH, parte da colecção argonauta de número 193, me pareceu realmente um bom livro e entra com tranquilidade na lista de =recomendo a leitura=.
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